Renault investirá quase R$ 60 bilhões na França para baratear elétricos; no Brasil, aposta na Geely
Marca já colhe resultados com os Renault 5 e 4 na Europa, enquanto parceria com a chinesa será a base para novos eletrificados brasileiros
A Renault vai investir mais de € 10 bilhões (R$ 58,4 bilhões) na França nos próximos cinco anos em veículos elétricos e no desenvolvimento de carros mais acessíveis. O programa dará continuidade à renovação da linha europeia, que já trouxe os Renault 5 e 4 elétricos e agora começa a receber o novo Twingo.
O valor foi revelado pelo CEO do Renault Group, François Provost. Nos cinco anos anteriores, a empresa investiu € 13 bilhões (R$ 76 bilhões) no país, onde mantém uma parcela importante da produção de seus carros elétricos vendidos na Europa.
As fábricas francesas produziram cerca de 500 mil veículos em 2025. Provost prevê crescimento de pelo menos 25% em 2026, o que levaria o volume para mais de 625 mil unidades.
O novo investimento mostra também uma diferença cada vez mais clara entre os planos da Renault para Europa e Brasil. Enquanto a empresa desenvolveu plataformas próprias para seus elétricos europeus, no mercado brasileiro decidiu incorporar tecnologia da Geely aos próximos modelos eletrificados.

Renault 5 já lidera entre os elétricos pequenos
O Renault 5 E-Tech é hoje o principal resultado comercial dessa nova geração de elétricos da marca. No primeiro semestre de 2026, foi o modelo elétrico do segmento B mais vendido da Europa.
Os elétricos responderam por 26,6% das vendas da Renault na Europa no período, participação 10,3 pontos percentuais superior à registrada um ano antes. No primeiro trimestre, as vendas de modelos totalmente elétricos da marca haviam crescido mais de 40%.
O Renault 5 também ganhou a companhia do Renault 4 E-Tech. Embora ambos recuperem nomes e elementos visuais de modelos históricos, os dois têm propostas diferentes. O 5 é um hatch compacto, enquanto o 4 é maior, tem carroceria mais alta e ocupa uma faixa superior da linha.
O próximo degrau abaixo deles é o Twingo E-Tech. A nova geração elétrica começa a chegar ao mercado europeu em 2026 com preço inicial de € 19.490 (R$ 114 mil) antes dos incentivos disponíveis em cada país.
Com isso, a Renault passa a ter três elétricos compactos em faixas diferentes de preço e tamanho. O Twingo ocupa a entrada, seguido pelo Renault 5 e pelo Renault 4.

Renault quer reduzir em 40% o custo dos elétricos
O preço desses carros é uma questão central para o próximo ciclo da Renault. O plano futuREady estabelece como meta uma redução de 40% nos custos dos veículos elétricos da empresa.
O grupo pretende lançar 36 modelos nos próximos cinco anos, dos quais 16 serão totalmente elétricos. Para atender mercados e categorias diferentes, a Renault não trabalhará com uma única arquitetura.
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Uma delas é a RGEV Small, destinada a elétricos dos segmentos A e B. É justamente nessa parte do mercado que estão Twingo e Renault 5, modelos importantes para reduzir o preço de entrada de um elétrico da marca.
A redução de custos também passa pela compra de componentes fora da Europa. Neste ano, a Renault confirmou que um novo motor elétrico compacto será montado na França com componentes fornecidos pela chinesa Shanghai e-drive.

Brasil terá tecnologia da Geely
A solução escolhida para o Brasil é diferente. A Geely adquiriu 26,4% da Renault do Brasil em 2025 e as duas empresas passaram a compartilhar o complexo industrial de São José dos Pinhais (PR).
A fábrica paranaense produzirá carros da Geely, mas o acordo também funciona no sentido inverso. A Renault confirmou que utilizará a arquitetura GEA da empresa chinesa em futuros veículos de zero e baixas emissões vendidos com sua própria marca.
Essa arquitetura aparece no planejamento do Renault Group com a denominação RGEA. Ela é uma adaptação da GEA da Geely e integra o conjunto de plataformas que serão utilizadas pela Renault nos próximos anos.
O programa industrial brasileiro prevê R$ 3,8 bilhões em investimentos. Estão programados dois modelos da Geely produzidos no Paraná a partir do segundo semestre de 2026, além da renovação de um Renault.
Para 2027, está previsto um novo Renault de emissão zero. A empresa já informou que a fábrica de São José dos Pinhais está sendo preparada para receber a arquitetura necessária aos novos eletrificados.

Europa desenvolve compactos; Brasil compartilha arquitetura
A diferença entre os dois mercados ajuda a mostrar como a Renault pretende reduzir o custo da eletrificação sem aplicar a mesma fórmula em todos os países.
Na Europa, a empresa já vende uma família de elétricos compactos desenvolvida em torno de suas próprias plataformas e prepara mais € 10 bilhões em investimentos na França. Renault 5, Renault 4 e Twingo são os exemplos mais visíveis desse programa.
No Brasil, onde os elétricos ainda representam uma parcela menor do mercado e desenvolver uma família exclusiva exigiria escala elevada, a Renault decidiu dividir tecnologia e capacidade industrial com a Geely.
O primeiro Renault brasileiro derivado dessa nova organização está previsto para 2027. Até lá, a produção dos primeiros Geely em São José dos Pinhais mostrará como a fábrica que durante décadas produziu apenas modelos do grupo francês será adaptada para trabalhar também com a arquitetura da nova sócia chinesa.
