Stellantis quer ''recuperar potencial de Peugeot e Citroën'' no Brasil

Estratégia do conglomerado é recuperar em torno de 3% de participação de mercado das marcas
Projeção de Kleber Silva para o futuro crossover nacional da Citroën

Projeção de Kleber Silva para o futuro crossover nacional da Citroën | Imagem: Kleber Silva/KDesign AG

Até então o principal executivo da Fiat Chrysler para o Brasil e região e agora assumindo posto equivalente (COO) na Stellantis, Antonio Filosa delineou algumas metas para o conglomerado no país, em especial envolvendo as marcas francesas Peugeot e Citroën.

De acordo com o executivo, a estratégia da Stellantis é que a Peugeot e a Citroën voltem a ocupar a mesma participação de mercado que detinham há 10 anos, portanto pouco mais de 5% se somados os seus volumes de vendas. Segundo Filosa, a ideia é concretizar o objetivo dentro de dois anos. No acumulado de janeiro a abril deste ano, Peugeot (0,97%) e Citroën (0,71%) somadas respondem por uma participação de 1,68%. “As duas têm muito futuro no Brasil e vamos investir nisso”, revelou o executivo. 

Para tanto, a recuperação das duas marcas por aqui passa obrigatoriamente pelo investimento em novos produtos. Enquanto a Peugeot trouxe como novidades há poucos meses a segunda geração do 208 fabricada na Argentina, a Citroën deverá lançar no segundo semestre seu aguardado crossover pequeno produzido em Porto Real (RJ). Atualmente, a Citroën comercializa no Brasil apenas o C4 Cactus entre os veículos de passeio. A gama é complementada pelos utilitários Jumpy e Jumper.

Segundo Filosa, o compartilhamento de itens técnicos entre as marcas da Stellantis ainda é um processo que levará tempo aqui no Brasil. O executivo cita que é necessário em torno de 18 meses para adaptar e homologar um novo motor em algum da Peugeot ou Citroën, por exemplo. Nos bastidores, é cogitada a possibilidade de que o Peugeot 208 poderia ser beneficiado com o novo motor 1.0 turbo da família GSE que será produzido em Betim (MG). Hoje em dia a presença apenas do propulsor 1.6 16V aspirado no portfólio do hatch é apontado como uma das causas para que suas vendas não tenham obtido melhor aceitação no Brasil. Muitos concorrentes do 208 já fizeram — ou estão em processo — de concretizar a migração para motores menores e sobrealimentados, portanto com eficiência elevada.

O principal executivo da Stellantis no Brasil afirmou que os investimentos do conglomerado deixam claro que não é a intenção da companhia encerrar as atividades de alguma das marcas da empresa por aqui. A vinda de outros nomes famosos dentro da Stellantis, como a Opel e a Alfa Romeo, ainda não devem ser contempladas no curto prazo. “Podemos estudar no futuro, mas, no momento, o plano para a região é consolidar Fiat e Jeep e recuperar o potencial de Peugeot e Citroën”, explicou Filosa. 

Ainda sem entrar em detalhes sobre futuros modelos que a Peugeot ou a Citroën poderão oferecer por aqui, vale lembrar que a Citroën começou a importar recentemente para a Argentina o SUV médio C5 Aircross, modelo que também seria interessante por aqui. Outro ponto é que a nova família de modelos da Citroën desenvolvida na Índia (programa C-Cubed) para mercados emergentes, contempla, além do crossover compacto, um hatch e um sedã, todos de pequeno porte. Resta saber se a marca considera aproveitar outro modelo além do crossover por aqui. Vamos acompanhar de perto todos os detalhes!

Projeção de Kleber Silva para o futuro crossover nacional da Citroën
Projeção de Kleber Silva para o futuro crossover nacional da Citroën
Imagem: Kleber Silva/KDesign AG