Ford Escort XR3 Vermelho Magenta de quase 40 anos rodou pouco; saiba quanto vale
Hatch esportivo andou apenas 6 mil km e está em perfeito estado de conservação
Considerado o primeiro carro global desenvolvido pela Ford, o Escort foi lançado no Brasil a partir da sua terceira geração (Mk3) em 1983. Oferecido apenas na configuração hatch, as opções estavam entre a L, GL, Ghia e XR3. No ano de 1987, a linha ganhou a sua primeira reestilização (Mk4).
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Essa geração de Ford Escort vem atraindo a atenção de colecionadores e entusiastas, em especial aos esportivos XR3 em suas variações hatch e conversível. Este clássico das fotos é um exemplo do que foi a época de ouro. Fabricado em 1989, é uma cápsula do tempo, pois nunca foi restaurado.
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Pintado na provocante cor Vermelha Magenta, o exemplar que foi vendido há dois anos por meio da GG World Premium Classic Cars trazia alguns opcionais atrativos. O ar-condicionado e o aquecimento interno são alguns deles, fora o indispensável teto-solar. Sim, este último item também fazia parte dos opcionais.
“O nosso exemplar que vendemos está 100% original, não tendo nem um retoquinho de pintura; e tem até os raros pneus Goodyear Eagle NCT 60 nas medidas 185/60 R14 como prova de originalidade máxima”, detalha Alex Fabiano ‘GG’.

Imagem: Herik Alves/Agência HKCD
Internamente, tudo parou no tempo e o acabamento primoroso, que foi por muitos anos referência nos carros da Ford, neste clássico XR3 está tudo em ordem, sem desgastes ou marcas do tempo. A forração dos painéis laterais, que tem como problema crônico o descolamento, o deste exemplar está impecavelmente novo.
Por fora, chamam a atenção o detalhe dos para-choques e o aerofólio, que estão alinhados e sem empenamento, o que era outro problema crônico desta geração de Escort. Nas rodas, ainda mantém todos os chumbos de balanceamento originais de fábrica, com o logo da fabricante.

Imagem: Herik Alves/Agência HKCD
E o clássico motor 1.6 CHT (sigla de Compound High Turbulence), movido a álcool, encontra-se em plena ‘saúde’. Segundo a montadora, 86,1 cv de potência e 12,9 kgfm de torque a partir das 4.000 rpm, o suficiente para levá-lo de zero a 100 km/h em respeitáveis 13,1 segundos, com velocidade final de 157 km/h.
Em 2023, nós chegamos a fazer uma reportagem com um Ford Escort XR3 da série MK4 igual a esse, porém de 1988. Na ocasião, o preço estava em R$ 230 mil. Atualmente, o mesmo exemplar voltou para a loja e está custando R$ 330 mil, conforme anúncio da GG World Premium Classic Cars. Tomando como referência, hoje um clássico como este Ford Escort XR3 com 6 mil km originais pode ultrapassar os R$ 250 mil.
O ESCORT NO BRASIL

Imagem: Divulgação
O Ford Escort é considerado o primeiro carro global desenvolvido pela montadora norte-americana e foi lançado no Brasil a partir da sua terceira geração (Mk3) em 1983. O Ford Escort foi oferecido apenas na configuração hatch, e suas opções eram distinguidas pela versão Básica, L, além da intermediária GL, da luxuosa Ghia e da esportiva XR3 (Experimental Research 3, pesquisa experimental 3).
A extravagância ficou a cargo da série especial Pace Car. Acontece que o recém-chegado XR3 havia virado carro-madrinha do GP Brasil de F1 de 1984. Com isso, a Ford se inspirou a produzir 350 carros da série Pace Car idênticos ao original.
A estratégia lhe rendeu destaque na mídia com o piloto Ayrton Senna como “garoto-propaganda”. Muitos disseram já ter visto o próprio Senna pelas ruas de São Paulo pilotando duas instigantes unidades do esportivo, uma na cor vermelha e outra prata. Entre os motores, os primeiros XR3 vinham com propulsor CHT 1.6 com 65,3 cv (gasolina) e 73,4 cv (etanol), sempre com transmissão de cinco velocidades. No final do ano, a potência no XR3 foi ampliada para 82,9 cv.
Por falar em velocidades, o Ford tinha um desempenho notável para a época. Na versão fechada, dados de época indicavam uma aceleração de zero a 100 km/h em respeitáveis 13,4 segundos.
Na velocidade final, ela atingia pouco mais de 160 km/h. No modelo com teto retrátil, por conta do peso extra dos reforços estruturais da carroceria, o 0-100 km/h era um pouco mais lento, fazendo 13,9 s.
Disponível com três ou cinco portas, o hatch da Ford incorporou as modernas suspensões traseiras independentes. O visual atraente e agressivo que se tornou sonho da molecada nos anos 1980 foi, sem dúvida, a XR3.
Dentro dessa linha, os mais abonados podiam encomendar a conversível, surgida a partir de 1985. A parceria para a transformação do cabriolet vinha da extinta Karmann Ghia do Brasil, com sede em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, onde também se instalava a Ford.
A modernidade no Escort também veio na linha 1987, quando ganhou a sua primeira reestilização (Mk4). O desenho, assim como o anterior, seguia o da matriz europeia, com para-choques de plástico e envolventes, ausência de grade frontal e lanternas traseiras lisas, além de novo interior, detalhes que deram ao novo carro um ar mais esportivo, especialmente nas variantes XR3.
No conjunto mecânico, o CHT ganhou cerca de 3 cv de potência, mas, em contrapartida, perdeu os charmosos faróis de neblina e o lavador de faróis, que era disponibilizado como opcional na linha XR3. No entanto, os de milha foram preservados. Além dessas mudanças, na parte interna, havia novo painel, bancos e vidros com acionamento elétrico. O teto solar, bem como o ar-condicionado, continuavam sendo oferecidos à parte.
CHEGADA DO MOTOR AP-1800S

Imagem: Divulgação
Com a recente criação da joint venture Autolatina entre a Volkswagen e a Ford, em 1989, o Escort ganhou motores da família AP da Volkswagen. Nas versões mais mansas, AP1800 com 90 cv, às versões GL (opcional) e Ghia do Escort. Já o AP-1800S de 99 cv era destinado aos esportivos XR3 e XR3 Conversível.
Ainda em 1989, chegou a edição Super Sport, reservada só na cor branca. Conhecida como Benetton, na época, patrocinadora da equipe de Fórmula 1, que usava propulsores Ford. Trazia filetes de para-choques (pintados na mesma cor da carroceria) e frisos na cor verde, mesmo tom dos detalhes dos revestimentos dos bancos.
Em 1991, chegou o XR3 Fórmula, disponível somente nas cores azul Denver e vermelha Munique e com tiragem de somente 754 carros. De especial, havia a suspensão ativa, o primeiro nacional a contar com o recurso eletrônico, disponibilizado mais tarde nas versões “normais” do esportivo.
Para 1992, último ano dos Escorts Mk3, veio o catalisador, um recurso instalado no sistema de escapamento que visa reduzir as emissões de poluentes.
SEGUNDA GERAÇÃO DO ESCORT XR3 NO BRASIL

Imagem: Divulgação
A segunda geração do Escort só veio em 1993. Na esportiva, o motor AP-2000 era o mesmo do Volkswagen Gol GTI com injeção multiponto, que garantia respeitáveis 115,5 cv. Com um torque de 17,7 kgfm a 3.400 rpm, o tempo de aceleração era reduzido para bons 9,7 segundos, só 0,6 s a mais que o rival da marca alemã.
Em comemoração aos 75 anos da participação da Ford no Brasil, no final de 1993, veio a XR3 Special Edition 75, com tiragem de só 175 unidades. Além da combinação de cores preta e dourada, a edição especial já trazia de série bancos Recaro, antena elétrica e sistema de som com equalizador, opcionais no XR3 comum.
Para a tristeza dos fãs, em 1995, a Ford declarava o fim do XR3. Em seu lugar, em 1996, a Ford trouxe da Argentina a Racer (sem opção conversível), que perdurou apenas neste ano. Em 1998, com a chegada, veio ao RS com o mesmo motor Zetec 1.8 16V de 115 cv dos modelos hatch, Sedan e SW.
Em 2003, após 20 anos no Brasil, o Escort se despedia do Brasil, acumulando mais de 1 milhão de unidades vendidas e muitas histórias e lembranças para contar.
