Ford Escort XR3 de 35 anos vale o mesmo que sedã híbrido novo; veja preço
Esportivo conversível à venda está impecável e com todos os detalhes originais
O Ford Escort é considerado o primeiro carro global desenvolvido pela Ford. Lançado no Brasil a partir da sua terceira geração (Mk3) em 1983, o hatch foi oferecido inicialmente nas versões L, GL, Ghia e XR3.
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No ano de 1987, a linha ganhou a sua primeira reestilização (Mk4), cujo desenho, assim como o anterior, seguia o da matriz europeia, com parachoques de plástico e envolventes, ausência de grade frontal e lanternas traseiras lisas, além de novo interior, detalhes que deram ao novo carro um ar mais esportivo.
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Por falar em esportividade, a desejada XR3 a álcool (hoje etanol), que trazia motor retrabalhado e câmbio de cinco marchas encurtado, ganhou 4 cv (86,9 cv ante os 82,9 cv do antigo). O comportamento mais agressivo do modelo era complementado pelo conjunto da suspensão com amortecedores pressurizados, que manteve a calibração mais firme, além da inclusão de estabilizador na traseira.
É dessa geração o belo Ford Escort 1.8 XR3 produzido em 1990 e pintado na provocante cor azul Caribe. Com apenas 65 mil km alegados, o conversível está à venda por R$ 200 mil em 1990 por meio da loja GG World Premium Classic Cars. O valor é condizente ao de um Toyota Corolla Altis Premium zero-quilômetro, cotado a R$ 199.490.

Imagem: Agência HKCD
De acordo com o anúncio da loja, o XR3 traz ar-condicionado de fábrica e sistema de acionamento eletro-hidráulico da capota. Aliás, diga-se de passagem, foi em 1990 que este mimo foi incorporado ao conversível. Já os espelhos retrovisores, o acionamento é feito de forma manual. Já os vidros contam com o recurso elétrico só na frente, pois atrás, só recorrendo à manivela. Coisa dos anos 1980 e 1990.
Outro detalhe que chama muito a atenção são os belíssimos bancos em veludo com detalhes em cinza e vermelho que evocam esportividade. O cluster é analógico e traz velocímetro com escala até 220 km/h, tacômetro (popular contagiros) com marcação até às 7.000 rpm e, claro, os ponteiros do marcador do nível de combustível e temperatura da água do motor.

magem: Agência HKCD
O motor é o velho conhecido AP-1800S, oriundo da linha Volkswagen, como o Passat, Gol, Voyage, Parati e Saveiro. Neste esportivo da Ford, movido a álcool (hoje chamado de etanol), ele rende a potência de 99 cv. O torque é de 16 kgfm, disponibilizados a partir das 3.200 rpm.
Este Ford Escort 1.8 XR3 conversível azul Caribe tem tudo para tornar-se o centro das atenções nas principais praias litorâneas ou apenas para enfeitar a sua coleção de clássicos brasileiros. Só falta pagar o preço da diversão.
O ESCORT NO BRASIL

Imagem: Divulgação
O Ford Escort é considerado o primeiro carro global desenvolvido pela montadora norte-americana e foi lançado no Brasil a partir da sua terceira geração (Mk3) em 1983. O Ford Escort foi oferecido apenas na configuração hatch, com opções que incluíam a versão Básica, a L, a intermediária GL, a luxuosa Ghia e a esportiva XR3 (Experimental Research 3, pesquisa experimental 3).
A extravagância ficou a cargo da série especial Pace Car. Acontece que o recém-chegado XR3 havia virado carro-madrinha do GP Brasil de F1 de 1984. Com isso, a Ford se inspirou a produzir 350 carros da série Pace Car idênticos ao original.
A estratégia lhe rendeu destaque na mídia com o piloto Ayrton Senna como “garoto propaganda”. Muitos disseram já ter visto o próprio Senna pelas ruas de São Paulo pilotando duas instigantes unidades do esportivo, uma na cor vermelha e outra prata.
Entre os motores, os primeiros XR3 vinham com propulsor CHT 1.6 com 65,3 cv (gasolina) e 73,4 cv (etanol), sempre com transmissão de cinco velocidades. No final do ano, a potência no XR3 foi ampliada para 82,9 cv.
Por falar em velocidades, o Ford tinha um desempenho notável para a época. Na versão fechada, dados de época indicavam uma aceleração de zero a 100 km/h em respeitáveis 13,4 segundos. Na velocidade final, ela atingia pouco mais de 160 km/h. No modelo com teto retrátil, por conta do peso extra dos reforços estruturais da carroceria, o 0-100 km/h era ligeiramente mais lento, fazendo 13,9 s.
Disponível com três ou cinco portas, o hatch da Ford incorporou as modernas suspensões traseiras independentes. O visual bonito e agressivo que se tornou sonho da molecada nos anos 1980 foi, sem dúvida, a XR3. Dentro dessa linha, os mais abonados podiam encomendar a conversível, surgida a partir de 1985.
A parceria para a transformação do cabriolet vinha da extinta Karmann Ghia do Brasil, com sede em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, onde também se instalava a Ford.
PRIMEIRA REESTILIZAÇÃO

Imagem: Divulgação
A modernidade no Escort também veio na linha 1987, quando ganhou a sua primeira reestilização (Mk4). O desenho, assim como o anterior, seguia o da matriz europeia, com para-choques de plástico e envolventes, ausência de grade frontal e lanternas traseiras lisas, além de novo interior, detalhes que deram ao novo carro um ar mais esportivo, especialmente nas variantes XR3.
No conjunto mecânico, o CHT ganhou cerca de 3 cv de potência, mas, em contrapartida, perdeu os charmosos faróis de neblina e o lavador de faróis, que era disponibilizado como opcional na linha XR3. No entanto, os de milha foram preservados. Além dessas mudanças, na parte interna, havia novo painel, bancos e vidros com acionamento elétrico. O teto solar, bem como o ar-condicionado, continuavam sendo oferecidos à parte.
Com a recente criação da joint venture Autolatina entre a Volkswagen e a Ford, em 1989, o Escort ganhou motores da família AP da Volkswagen. Nas versões mais mansas, AP-1800 com 90 cv, às versões GL (opcional) e Ghia do Escort. Já o AP-1800S de 99 cv era destinado aos esportivos XR3 e XR3 Conversível.
A transmissão vinha do VW Golf alemão. Essa receita deu ao esportivo da Ford um torque de 16 kgfm a partir dos 3.200 giros, portanto superior ao do seu principal rival, o Gol GTS, com seus 14,9 kgfm de torque. Isso, na prática, mostrou superioridade no Escort, pelo menos em velocidade final: 173 km/h contra 167 km/h do Volks. No zero a 100 km/h, o GTS levava a melhor por conta do menor peso que no XR3 conversível: 11 segundos contra 11,8 s, nessa ordem.
Ainda em 1989, chegou a edição Super Sport, reservada só na cor branca. Conhecida como Benetton, na época, patrocinadora da equipe de Fórmula 1, que usava propulsores Ford. Trazia filetes de para-choques (pintados na mesma cor da carroceria) e frisos na cor verde, mesmo tom dos detalhes dos revestimentos dos bancos.
Em 1991, chegou o XR3 Fórmula, disponível somente nas cores azul Denver e vermelha Munique e com tiragem de somente 754 carros. De especial, havia a suspensão ativa, o primeiro nacional a contar com o recurso eletrônico, disponibilizado mais tarde nas versões “normais” do esportivo.
