Ford Maverick GT Azul Regata vale tanto quanto um iate básico; veja preço da raridade
Cupê esportivo de 52 anos traz poderoso motor V8 302, o mesmo do lendário Mustang
Lançado em 1969 como uma opção ao Ford Mustang nos EUA, o Maverick só chegaria ao Brasil em 1973 como um concorrente do Chevrolet Opala e Dodge Charger. Durante sua trajetória em solo nacional, chegou a ter algumas versões que ficaram eternizadas. A GT é uma delas.
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É o exemplo deste Ford Maverick GT 1974 Azul Regata, anunciado pela GG World Premium Classic há dois anos pela bagatela de R$ 440 mil. É um dos mais cobiçados entre potenciais colecionadores e, portanto, cada vez mais valorizado. O esportivo da Ford foi 100% restaurado em altíssimo nível, nos padrões originais de fábrica.
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“O nosso Maverick é um GT de plaqueta, ou seja, é um LB5E, e é um dos mais desejados dos anos 1970; tido como muscle car brasileiro, ele revolucionou também nas pistas como a Divisão 3”, conta Alex Fabiano, o ‘GG’.

Imagem: Herik Alves/Agência HKCD
Por dentro, o tecido “pijaminha” Dixie que estampa os bancos é um convite à parte. Ainda na parte interna, o conforto é suficientemente satisfatório para duas pessoas. Mesmo com seus avantajados 4,58 metros de comprimento, 1,79 m de largura e 2,61 m de distância de entre-eixos, nos bancos traseiros somente duas crianças, e olhe lá
Em contrapartida, o maior espaço foi concentrado no cofre do motor, o qual abriga um Windsor 302 V8 5.0 (o mesmo dos Mustangs de época) de mais de 200 cv de pura saúde, junto à transmissão manual e quatro marchas.

Imagem: Herik Alves/Agência HKCD
Pelas fotos, notamos tampas de válvulas e cabos de vela da Edelbrock e distribuidor de ignição eletrônica estilo HEI (High Energy Ignition), que deram, além da beleza, a durabilidade e desempenho.
Embora o foco do GT fosse o desempenho, era comum na época concessionárias ou empresas terceirizadas especializadas instalarem o ar-condicionado igual ao do nosso homenageado. Bem harmônico, o acabamento do acessório imitando madeira é bem nostálgico e deu um charme ao belíssimo interior.
MAVERICK: O MUSCLE CAR BRASILEIRO

Imagem: Divulgação
O Ford Maverick surgiu nos Estados Unidos, em 1969, e teve como missão se enquadrar numa faixa de ‘carros econômicos’ daquele país. Sua vida por aqui foi um pouco mais curta, mas nem isso deixou de ser considerado um clássico entre os brasileiros, tornando-se o primeiro muscle car brasileiro.
O clássico esportivo surgiu em 1973 visando trocar a linha já um tanto quanto defasada dos modelos da Willys-Overland do Brasil, empresa comprada pela Ford em 1968. A estratégia era simples. Com o sucesso do Opala da Chevrolet, a principal concorrente não poderia ficar de fora, e assim lançou o Maverick.
O clássico cupê da Ford vinha de início nas versões Super (3.0 L6), Super Luxo (3.0 L6 ou 4.9 V8), além da idolatrada esportiva GT (5.0 V8). Esta última como dito, trazia um poderoso propulsor Windsor 5.0 V8 de 197 cavalos de potência bruta e torque final de 39,5 kgfm a partir das 2.400 rpm.
Esta unidade ficou conhecida por equipar o Mustang nos EUA. No muscle car “Made in Brazil” fazia de zero a 100 km/h em 10,8 segundos e 182 km/h de velocidade máxima, graças ao câmbio manual de quatro marchas. Mas não perdoava no consumo fazendo 4,5 km/l no uso urbano e 6 km/l no rodoviário.
Fora essa, a Ford chegou a equipar o Maverick com motor de seis cilindros em linha, 3.0, reaproveitado do Rural Willys, de 112 cv e 22,6 kgfm a 2.000 rpm. Nesse, o 0-100 km/h era feito em longos 20,8 s, com velocidade final de 156 km/h. Mesmo com desempenho a desejar, para completar o consumo também era alto com 5 km/l na cidade e 6,5 km/l na estrada.
As versões Super e Super Luxo estavam disponibilizadas tanto na carroceria sedã de quatro portas quanto na cupê de duas, todas com opção de transmissão manual de quatro marchas no assoalho ou automática com três posições, instalada na coluna de direção.
MAVERICK DE QUATRO CILINDROS

Imagem: Divulgação
Com a crise do petróleo mundial instalada, a Ford não pensou duas vezes e lançou o propulsor 2.3 OHC de quatro cilindros para a Super e Super Luxo em 1975.
Mais modesto, a potência de 99 cv torque de 16,9 kgfm a 3.200 rpm renderam ao esportivo um desempenho compreensíve para a sua propostal: 0-100 km/h em 15,3 s e velocidade máxima de 153 km/h.
Em 1977, a Ford lança uma versão mais luxuosa do Maverick, o LDO (Luxuosa Decoração Opcional), com acabamento mais refinado e opções de interior monocromático nas cores marrom ou azul.
A então nova versão topo de linha também receberia como opcional o câmbio automático de três marchas instalado no assoalho, para as unidades com motor 2.3 — a 302 V8 era oferecida na LDO também. Já as versões Super e Super Luxo continuaram a ser produzidas, todas com o motor 2.3 OHC de série, unidade que passou a ser disponibilizada também na GT.
Sem muito o que fazer diante de uma combinação de fatores econômicos e de mercado, o Ford Maverick teve sua fabricação encerrada em 1979, concluindo mais um capítulo importante para a história da indústria automobilística nacional, somando 108 mil unidades produzidas.
