Hyundai desenvolve tinta automotiva que se regenera após riscos

Patente registrada nos EUA descreve um verniz capaz de "apagar" riscos leves com o tempo, mesmo em temperatura ambiente
Genesis GV80 2022

Genesis GV80 2022 | Imagem: Divulgação

Não importa o quanto você evite lavagens automáticas ou estacione longe de tudo, os famosos micro arranhões sempre acabam aparecendo. Esses  minúsculos riscos que surgem com o tempo são praticamente um “imposto” sobre ter um carro bonito e um prato cheio para polidores e estúdios de estética automotiva. Mas esse cenário pode mudar se uma nova patente da Hyundai sair do papel.

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Como funcionará na prática

Swirl marks
Swirl marks Imagem: Divulgação

A montadora registrou recentemente, junto ao escritório de patentes dos Estados Unidos, uma tecnologia de pintura que promete uma autorregeneração do verniz.

Ou seja, estamos falando de uma camada transparente capaz de “se curar sozinha” após pequenos riscos, marcas de lavagem ou agressões leves do dia a dia.

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E o mais curioso é o caminho escolhido para isso. Enquanto a maioria dos vernizes modernos aposta em rigidez máxima - quanto mais duro, melhor -, a proposta da Hyundai vai na direção oposta. O revestimento descrito na patente é feito à base de poliuretano, mas com uma formulação flexível, quase fluida.

Quando sofre uma agressão, a superfície cede levemente e, depois, retorna à forma original, apagando boa parte da imperfeição.

E se o polimento deixar de ser necessário?

Micro-riscos circulares que surgem com o tempo
Micro-riscos circulares que surgem com o tempo Imagem: Divulgação

Segundo a documentação, o sistema pode eliminar até 80% das marcas superficiais, sem comprometer a resistência química do verniz. Ou seja, ele continuaria protegendo contra chuva ácida, fezes de pássaros, resíduos ambientais e outros vilões conhecidos da pintura automotiva.

O segredo está em uma mistura de polímeros e oligômeros, cadeias longas e curtas que garantem estabilidade estrutural, mas permite a flexibilidade para o efeito de autorreparo. A patente não deixa claro se essa tecnologia atuaria apenas no verniz ou também na camada de cor, mas mesmo restrita ao acabamento transparente, já seria um avanço para a manutenção do carro.

Se implementada, essa solução pode chegar a modelos como o Sonata ou o Genesis GV80, o que naturalmente levanta uma questão incômoda para o mercado de estética automotiva: e se o polimento deixar de ser necessário?

 Nissan já experimenta algo semelhante

Com a tecnologia, polimento pode deixar de ser necessário
Com a tecnologia, polimento pode deixar de ser necessário Imagem: Divulgação

Vale lembrar que a Hyundai não está sozinha nessa. A Nissan já experimenta algo semelhante há mais de uma década com o sistema Scratch Shield, um verniz com resina elástica capaz de “apagar” riscos leves ao longo do tempo, especialmente com calor. Modelos atuais como o Nissan Z e o Nissan Ariya ainda utilizam essa tecnologia.

A diferença é que, no caso da Hyundai, o efeito de regeneração acontece em temperatura ambiente, sem depender diretamente do sol ou de condições específicas. 

Enquanto essas pinturas inteligentes não se tornam realidade em larga escala, o consumidor ainda recorre a alternativas como películas de proteção, vinil transparente, envelopamentos foscos ou brilhantes e coatings cerâmicos. Todos ajudam, mas nenhum elimina completamente a necessidade de manutenção.

Stephanie Gomes

Estudante do 2º ano de comunicação, Stephanie escolheu a profissão por acreditar no poder transformador do jornalismo.