Renault confirma motor turbo e cinco novidades no Brasil até 2022

Marca investirá R$ 1,1 bilhão no Paraná; saiba o que podemos esperar
Projeção de Kleber Silva antecipando o Kwid 2022 produzido no Brasil

Projeção de Kleber Silva antecipando o Kwid 2022 produzido no Brasil | Imagem: Kleber Silva

Anúncio relevante foi feito pela Renault nesta segunda-feira (1º). A empresa vai investir R$ 1,1 bilhão em seu Complexo Ayrton Senna, no Paraná, e confirmou a estreia de cinco novidades no Brasil até a metade de 2022. O montante ainda contempla a nacionalização de um motor turbo e o lançamento de outros dois veículos elétricos dentro do mesmo intervalo de tempo. O anúncio foi feito em Curitiba, no Palácio do Governo, com a presença do governador do Estado do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, e do presidente da Renault do Brasil, Ricardo Gondo. 

A Renault destaca ainda que aprovou um acordo coletivo com o Sindicato dos Metalúrgicos da grande Curitiba (SMC) e os colaboradores de sua fábrica, o que trouxe, nas palavras da empresa, previsibilidade e flexibilidade fundamentais para a aprovação deste ciclo de investimentos. O acordo tem duração de quatro anos (2020-2024). 

No Brasil, a Renault conta com cerca de 6.400 colaboradores diretos e gera aproximadamente 25 mil empregos indiretos. As unidades produtivas da marca estão localizadas em São José dos Pinhais (PR), onde fica o Complexo Ayrton Senna, que reúne as quatro fábricas da Renault no Brasil: a de automóveis (CVP), a de comerciais leves (CVU), a de motores (CMO), além da fábrica de injeção de alumínio (CIA). O Complexo Ayrton Senna está localizado em um espaço de 2,5 milhões de m², sendo que 60% dessa área são de mata preservada, e também conta com cerca de 800 engenheiros. 

O mercado brasileiro continua sendo estratégico para o Grupo Renault. A aprovação de um novo ciclo de investimentos para futuros projetos depende da melhoria da competitividade. Fatores como a complexidade e alta carga tributária, os altos custos logísticos e de fabricação comprometem a competitividade para fabricar no país”, avalia Luiz Fernando Pedrucci, vice-presidente sênior da marca para a América Latina. 

Quais novidades podemos esperar com o investimento? 

Apesar de não detalhar quais serão as novidades previstas dentro do investimento bilionário no país, a Renault salienta em seu comunicado que o montante destinado ao Complexo paranaense é voltado “para a renovação de veículos da gama atual”. 

Segundo informações que circulam nos bastidores, a Renault deverá lançar até o fim deste ano o facelift para o Kwid nacional, atualização que certamente deverá figurar como uma das novidades apontadas pela empresa. 

Projeção de Kleber Silva antecipando o Kwid 2022 produzido no Brasil
Projeção de Kleber Silva antecipando o Kwid 2022 produzido no Brasil
Imagem: Kleber Silva

Considerando que a Renault delineou um período extremamente curto para colocar no mercado as cinco novidades, é prudente afirmar que não estamos falando de lançamentos totalmente inéditos no país. O prazo de um ano e meio dentro do universo automotivo é relativamente curto para nacionalizar a nova geração de um carro, por exemplo. Logo, não será agora que os novos Logan, Sandero e Stepway, por exemplo, chegarão ao mercado. 

Com isso em mente, além do novo Kwid 2022 outro produto que reúne todas as condições de figurar como uma das novidades da Renault para os próximos meses é a atualização do Captur nacional. O SUV deverá contar com o mesmo pacote de aprimoramentos que o Kaptur russo apresentou por lá em 2020. O modelo vai ganhar leves melhorias estéticas na parte externa, aprimoramentos no interior como a chegada de uma central multimídia com tela maior, além de novos equipamentos de tecnologia e eletrônica embarcada. 

O “motor turbo” que a Renault cita em seu comunicado deverá ser a unidade 1.3 TCe desenvolvida pela marca francesa em conjunto com a Daimler. Moderno e eficiente, além da sobrealimentação o 1.3 TCe conta ainda com injeção direta e pode ser encontrado em modelos compactos da Mercedes-Benz, como a atual gama Classe A. 

O 1.3 turbo deverá estrear no Brasil em conjunto com o facelift do Captur ainda neste semestre, o que vai aprimorar consideravelmente a eficiência e a competitividade do modelo na categoria. 

Unidades de teste pouco camufladas sinalizam que a estreia do Captur turbo pode ocorrer em breve no Brasil
Unidades de teste pouco camufladas sinalizam que a estreia do Captur turbo pode ocorrer em breve no Brasil
Imagem: InsideCars

Ponto importante é que a nacionalização do motor 1.3 turbo permitirá que ele seja aplicado em outros modelos da gama, como o Duster (talvez mais uma das novidades?) além de alguns veículos da Aliança Renault-Nissan. Na Índia, por exemplo, o Nissan Kicks tem em seu leque de versões uma opção 1.3 turbo, possibilidade que também fica aberta para o mercado brasileiro. 

O compacto motor 1.3 TCe, com turbo e injeção direta, revelado na edição 2018 do Salão de Genebra
Acima o compacto motor 1.3 TCe com turbo e injeção direta revelado em 2018 no Salão de Genebra
Imagem: Divulgação

Voltando a falar sobre o Duster, o retorno de uma opção com tração integral para o modelo agora baseada em sua nova geração pode ser uma boa aposta para o nosso mercado. O Duster 4x4 deverá tomar como base o motor 1.3 turbo e ser posicionado como a opção topo de linha do SUV compacto por aqui.  

A fala de Luiz Fernando Pedrucci citada mais acima sobre “investimentos para futuros projetos” abre caminho para que eventuais modelos inéditos da Renault, como o SUV médio derivado do conceito Dacia Bigster, também possam ser nacionalizados em um horizonte de longo prazo. Os planos para uma nova geração da picape compacta-média Duster Oroch também podem figurar em uma nova rodada de investimentos da empresa no Brasil. Como explicou o executivo, tudo dependerá da “melhoria da competitividade” no país em diversos aspectos. 

Renault Duster 2021
Novo Duster nacional: opção turbo com tração integral entre as novidades?
Imagem: Divulgação