Com crescimento de quase 14%, as vendas de veículos no Brasil em 2018 acumularam o segundo ano consecutivo de recuperação após o desastroso resultado de 2016 quando menos de 2 milhões de unidades foram emplacadas.

Os números preliminares levantados com exclusividade pelo Autoo mostram que os brasileiros compraram 300 mil veículos a mais no ano passado do que em 2017 e nada menos que 95 mil deles (ou 32% do total) foram modelos da Volkswagen.

Com isso pode se dizer que a marca alemã foi a grande vencedora do “campeonato de 2018” e a responsabilidade por isso foi da dupla Polo/Virtus. Os dois modelos globais acrescentaram mais de 111 mil emplacamentos ao total de vendas da VW, ou 30% do que a montadora vendeu no ano passado. Mesmo com a queda nas vendas do Voyage e sobretudo do up! o saldo foi amplamente favorável, ainda mais que Chevrolet e Fiat perderam participação.

Outro destaque de 2018 foi a CAOA Chery. A associação entre a empresa brasileira e a montadora chinesa apresentou o maior crescimento proporcional a 2017 com alta de 130% nos emplacamentos. Com quase 9 mil unidades vendidas em 2018 a marca terminou com a 18ª colocação, próxima da Audi. A participação no geral aumentou pouco, de 0,2% para 0,3%, porém, em vista da quantidade de lançamentos é bem possível que em 2019 a CAOA Chery triplique esses números, passando a disputar mercado com Peugeot, Citroën e Mitsubishi. Veja a seguir a situação de outras marcas:

Chery Tiggo 5X 2019
Chery Tiggo 5X 2019
Imagem: Divulgação

1º Chevrolet – 434.274 unidades

A marca americana novamente foi a líder do mercado e com boa margem para a Volks, apesar desta ter se aproximado. Mas a participação caiu de 18,2% para 17,6% mesmo com o melhor ano do Onix, cuja dependência ainda é grande apesar do portfólio bem variado da Chevrolet.

3º Fiat – 325.731 unidades

A Fiat conseguiu voltar a ter seus carros entre os mais vendidos como é o caso do Argo e do Polo, no entanto, a marca perdeu um pouco do espaço em 2018, passando de 13,4% para 13,2%. A montadora continua a depender muito de comerciais leves, sobretudo da eterna picape Strada que voltou a ter alta nas vendas. Este ano, sem um grande lançamento no primeiro semestre, é provável que essa situação não se altere.

4º Ford – 226.358 unidades

Até boatos de que estaria deixando o Brasil a Ford teve de desmentir num ano em que a montadora americana cresceu pouco, a despeito de ter melhorado seu principal produto, o Ka. O problema é que a Ford depende muito dele sem ter uma participação significativa em outros segmentos importantes como o de sedans e SUVs compactos – mesmo com o pioneiro EcoSport. A Ranger até melhorou sua situação, porém, falta uma atuação mais abrangente entre os comerciais leves.

Ford Ka 2019
Ford Ka 2019
Imagem: Divulgação

5º Renault – 214.879 unidades

Depois da Volks, a Renault foi a marca que mais ampliou suas vendas com quase 50 mil unidades a mais em 2018. O grande “culpado” é o Kwid, subcompacto que agradou pelo visual off-road mas o Captur se deu bem no segmento PCD e o Sandero se recuperou no segundo semestre.

6º Hyundai – 206.685 unidades

Pode-se dizer que a Hyundai foi uma das grandes perdedoras de 2018, apesar da liderança do Creta entre os SUVs. A marca coreana viu seu principal modelo, o HB20, ficar estagnado tanto na versão hatch quando sedan. E os carros importados quase anularam o crescimento do Creta. O resultado é que a Hyundai perdeu praticamente um ponto percentual de participação, o equivalente a uma Peugeot inteira. Por sorte em 2019 ela terá o novo HB20 para tentar reverter essa situação.

7º Toyota – 199.948 unidades

O lançamento do Yaris no Brasil se mostrou uma decisão acertada da Toyota. O compacto, de linhas mais modernas e interior melhor acabado, teve mais de 31 mil unidades emplacadas em pouco mais de seis meses. Porém, o Etios pagou por parte desse sucesso: queda de mais de 30% nas vendas. De quebra, o Corolla teve um ano de leve redução nas vendas, talvez fruto do avanço dos rivais e dos SUVs compactos, cada vez mais presentes. Este ano será decisivo para a marca que só deve lançar seu “jipinho” no ano que vem.

figure style="width:100%;">Toyota Yaris 2019

Toyota Yaris 2019
Imagem: Divulgação

8º Honda – 131.607 unidades

A Honda fez companhia à rival Hyundai com números ruins para mostrar em 2018. Aliás, a empresa japonesa foi ainda pior que a coreana com crescimento de parcos 500 carros em relação a 2017. O melhor desempenho da linha foi do Fit que vendeu 8% a mais, porém, abaixo da média do mercado. Civic e até mesmo o HR-V, que foi renovado, empataram suas vendas enquanto o sedã City (mesmo bombado com vendas PCD) e o “aventureiro” WR-V naufragaram com queda nos emplacamentos. Em 2019 a Honda terá sua nova fábrica de Itirapina em funcionamento e aí não será possível usar o pretexto de linha de montagem no limite de produção.

9º Jeep – 106.957 unidades

Nem o mais otimista observador do setor automotivo imaginaria que a Jeep pudesse vender tanto quanto nos últimos anos no Brasil. Mas em 2018 a marca americana passou da marca de 100 mil unidades chegando a quase 107 mil veículos vendidos. É algo fabuloso e providencial para compensar a queda da Fiat, sua marca irmã na FCA. Ainda mais que o grupo ganha muito mais por carro vendido na Jeep.

10º Nissan – 97.507 unidades

Proporcionalmente, a Nissan avançou até mais que a Jeep em 2018 mas acabou um pouco atrás dela. E não por falta de ajuda do Kicks, SUV compacto que bateu o rival Renegade em vendas. O problema é que os outros modelos da marca têm desempenho bem modesto com uma relativa exceção do Versa. A ironia nisso (e também na ascensão da Renault) é que o ex-presidente Carlos Ghosn, hoje preso no Japão, é o principal responsável pelo sucesso das duas marcas no Brasil.

11º Peugeot – 23.663 unidades

Nada que está ruim e que não possa piorar, esse poderia ser o lema da Peugeot. A marca francesa não para de decepcionar no Brasil e em 2018 não foi diferente com queda de 12% nos emplacamentos. O resultado é grave porque ocorreu sobre uma base já bem ruim em 2017 e a montadora já usou seus “coringas no baralho”, os SUVS 2008, 3008 e 5008, que evitaram situação ainda pior. Fato é que a marca não consegue ser competitiva em nenhum dos segmentos que participa e deve ser atropelada pela concorrência.

12º Mitsubishi – 22.134 unidades

Houve tempos em que a Mitsubishi deu pinta de que repetiria o sucesso das também japonesas Toyota e Honda, mas nos últimos tempos a marca, que agora faz parte da aliança Renault-Nissan, só anda de lado. Mesmo lançamentos como o Eclipse Cross e a renovação do ASX não têm conseguido frear a falta de ânimo nas vendas.

Citroën C4 Cactus 2019
Citroën C4 Cactus 2019
Imagem: Divulgação

13º Citroën – 20.272 unidades

“Abandonada” pela PSA, sua dona, a Citroën passou anos no limbo com uma linha de produtos defasada e sem apelo. Mas veio 2018 e o tão aguardado C4 Cactus chegou para mudar tudo. Ele até começou bem sua carreira, porém, assim como na Peugeot, o SUV é praticamente o único produto da marca visto que o envelhecido C3 e seu primo Aircross só fazem cair nas vendas. O sedã Lounge, então, é raro de ver nas ruas.

15º Kia – 11.720 unidades

Sem as amarras do Inovar Auto que impedia que mais carros fossem importados sem os 30 pontos extras de IPI, a Kia pode voltar a atuar de forma mais natural no mercado. Porém, a cotação do dólar ainda muito alta impediu que 2018 fosse o ano da virada. Os emplacamentos cresceram bem, nada menos que 39%, porém, apenas 11,7 mil carros foram vendidos, nada que faça lembrar dos melhores anos quando chegou a comercializar 77 mil unidades (2011).

19º Volvo – 6.832 unidades

Entre as marcas de luxo, a Volvo foi a que melhor se saiu. Suas vendas quase duplicaram no Brasil, o maior nível da sua história por aqui. Para obter esse resultado, a marca sueca teve dois produtos importantes, o novo XC60 e o inédito XC40. Juntos eles foram responsáveis por quatro em cada cinco Volvos vendidos no país. E pensar que a Volvo quase abriu uma fábrica no Brasil na época em que o Inovar Auto praticamente obrigava a isso, mesmo que a unidade fosse apenas uma fachada para concluir alguns veículos fabricados no exterior. Coisa que suas rivais Audi, BMW, Mercedes e Land Rover acabaram fazendo sem que isso mudasse suas perspectivas no mercado.

22º JAC – 3.882 unidades

Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Imagem: Divulgação

No seu ano de estreia em 2011 a JAC foi a 14ª marca mais vendida do Brasil com 23 mil unidades e isso com nove meses de atuação na prática. Daquela época, em que o garoto propaganda da montadora era o apresentador Fausto Silva, pouco restou. Hoje o resultado de 2018 equivale a pouco mais que o melhor mês da história da marca e a situação teima em não melhorar. Após abrir dezenas de concessionárias e prometer várias vezes a abertura de uma fábrica no país, a JAC, dirigida pelo conhecido empresário Sergio Habib, aposta suas fichas numa linha de SUVS que, infelizmente, não se sustenta: a cada novo lançamento o anterior perde força e as vendas continuam no mesmo nível.

25º Jaguar – 1.817 unidades

Se a Land Rover teve um 2018 com leve queda sua irmã Jaguar não teve do que reclamar. A marca de luxo britânica conseguiu uma presença importante no mercado após lançar veículos mais acessíveis como o sedã XE. Mas foram mesmo os SUVs que fizeram toda a diferença. Primeiro o grandão F-Pace e no ano passado o menor E-Pace mostraram que o caminho passa por esse segmento mesmo para uma empresa que sempre foi conhecida por cupês e sedans.

Jaguar E-Pace 2018
Jaguar E-Pace 2018
Imagem: Divulgação

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/